terça-feira, 24 de outubro de 2017

O ator australiano que interpreta o super-herói Wolverine há 13 anos diz que usa poucos dublês e ganha de seis a oito quilos de músculos antes de cada filme

O ator australiano que interpreta o super-herói Wolverine há 13 anos diz que usa poucos dublês e ganha de seis a oito quilos de músculos antes de cada filme

 HUGH JACKMAN

“Tenho medo de me machucar”

RECORDE 
Hugh Jackman interpreta Wolverine pela sexta vez: cachê de US$ 20 milhões
Ao contrário de seu conterrâneo Russell Crowe, conhecido pelo temperamento explosivo na relação com as pessoas, o australiano Hugh Jackman, 44 anos, é tratado em Hollywood como “Mr. Nice Guy” (Senhor Simpatia). Isso acontece mesmo tendo adquirido notoriedade como um dos personagens mais estourados dos quadrinhos, o mutante Wolverine, que ele vive pela sexta vez batendo o recorde de ator que mais interpretou um papel de HQ nas telas. Foi graças ao super-herói dotado de garras de aço e espessa costeleta, cuja nova aventura estreia na sexta-feira 26, que Jackman ingressou no seleto clube dos atores com cachê na casa dos US$ 20 milhões. O título de “mutante mais sexy do cinema” ainda veio de bônus, por estar sempre exibindo o tórax esculpido. “Não é brincadeira ter de ganhar entre seis e oito quilos de músculos antes das filmagens”, conta o astro. Criado apenas pelo pai, já que sua mãe deixou a família quando ele tinha 8 anos de idade, Jackman valoriza bastante a convivência com os filhos. Os dois – Oscar, de 12 anos, e Ava, de 7 anos – são adotados. Ex-apresentador do Oscar, que comandou em 2009, ele testou o prazer de estar entre os concorrentes este ano pelo papel do rebelde Jean Valjean de “Os Miseráveis”. A indicação abriu caminho para atuações mais sérias, mas Jackman gosta de trabalhar mirando o público adolescente: “Na verdade, sou uma criança presa em corpo de adulto”. A seguir, os principais trechos da entrevista concedida com exclusividade à ISTOÉ em Londres, na Inglaterra.
"Não consigo ser grosseiro quando me pedem autógrafo. 
Minha vida parece férias se comparada à de Brad Pitt "

“Russell Crowe indicou o meu nome quando 
recusou o papel de Wolverine. Sem esse
empurrãozinho certamente não estaria aqui hoje"
Fotos: divulgação
ISTOÉ –
Após uma vida sem grandes luxos, o sr. é hoje dono de um cachê de US$ 20 milhões. Isso mudou a sua relação com o dinheiro?
 
Hugh Jackman –
Não me envergonho de ganhar bastante pelo meu trabalho e faço tudo para merecê-lo. Dinheiro bom é aquele que vem do nosso esforço, não o dinheiro dado.
ISTOÉ –
Essa atitude é um reflexo das condições modestas de sua infância?
 

Hugh Jackman –
Sim. Não consigo entender como o meu pai, que era contador, criou crianças sozinho. Nossas férias se resumiam a acampar na praia, com seis pessoas numa barraca. Ele cozinhava para toda a família num fogãozinho a gás e, no resto do tempo, tinha de apartar as brigas dos filhos. Aprendi com o meu pai o que é verdadeiramente ser uma família.

ISTOÉ –
Como faz para passar esses valores aos seus filhos?
Hugh Jackman –
Procuro levá-los a lugares menos favorecidos do planeta, como o Camboja e a Etiópia. Isso é fundamental para que entendam o quanto são privilegiados pela vida que têm. Quando era criança, não tive o que posso dar a eles.

ISTOÉ –
Algum deles já demonstra interesse em seguir os passos do pai?
Hugh Jackman –

Oscar pediu para fazer figuração em “Austrália”, mas detestou a experiência apesar dos 320 dólares australianos que ganhou pela sua participação. Ele trabalhou durante quatro dias numa cena de travessia, em que caminhava no meio de uma multidão, sob um calor de mais de 30 graus. Sua atuação se limitava a andar para lá e para cá. Ao final, ele me disse: “Pai, você tem o trabalho mais chato do mundo”.
ISTOÉ –
Já são 13 anos interpretando Wolverine. Como explica essa longevidade no papel?
Hugh Jackman –

Não sei como me deixaram ir tão longe. O problema é que, a cada novo filme, tenho mais medo de me machucar nas cenas de ação.
ISTOÉ –
Mesmo com toda a sua forma física, já começa a se sentir limitado pela idade?
Hugh Jackman –

Sim, principalmente agora que já passei dos 40 anos. Nessa última filmagem eu quase quebrei meu pescoço. A cena se passava em um trem em alta velocidade. Eu tive de colocar a cabeça para fora da janela e o meu pescoço ficou preso. O acidente me obrigou a encerrar o dia mais cedo. Minha esposa (a atriz Deborra-Lee Furness) olhou para mim e disse: “O que está fazendo? Chega de brincar no pátio da escola. Você não é invencível”.
 
ISTOÉ –
Não seria o caso de recorrer mais a dublês?
Hugh Jackman –
Eu uso dublê só nas cenas extremamente perigosas. Jim (o diretor James Mangold) acha que a ação é uma extensão da personalidade de Wolverine. Por isso, sempre que possível, prefere que eu dispense o dublê.
ISTOÉ –
Esse aspecto físico do personagem é o lado mais pesado de sua atuação?
Hugh Jackman –



Claro. Cenas de ação, incluindo as de luta, sempre me deixam com fortes dores no dia seguinte. O treinamento a que me submeto antes de rodar também acaba comigo. Não é fácil acordar às quatro horas da manhã para se exercitar. Comer peito de frango sete vezes por dia é outra coisa que me deixa louco.
ISTOÉ –
Seu apelido em Hollywood é Mr. Nice Guy (Senhor Simpatia). Não é uma contradição com o lado soturno e até explosivo do personagem?
Hugh Jackman –
Eu entendo de Wolverine como ninguém. Desde criança, aprendi a controlar a raiva. Como sou caçula numa família de cinco irmãos, cresci com os mais velhos sempre implicando comigo. Imagina como desejei ter garras de aço para poder acabar com eles.
ISTOÉ –
De onde vem a fama de bonzinho? 
Hugh Jackman –


Acho que pelo fato de meu pai ter me ensinado a tratar todas as pessoas com respeito. Não vejo motivo para fazer o contrário. É mais fácil ser educado do que ser idiota. Essa é a minha natureza. 
ISTOÉ –
Quando os paparazzi o perseguem, registram sempre um pai de família exemplar, brincando com os filhos. Gosta dessa imagem? 
Hugh Jackman –

Meus dias em família não são tão perfeitos, ainda que as fotos deem essa impressão. Na verdade, sou uma criança presa em corpo de adulto. Adoro ser pai justamente por me dar o que preciso: licença para brincar o tempo todo.  
ISTOÉ –
Esse assédio não o incomoda? 
Hugh Jackman –


Não vejo problema. Ele só fica muito pronunciado quando estou lançando um filme. É como uma avenida que registra congestionamento uma vez por mês. No resto do tempo, o trânsito é ok. Minha vida parece férias se comparada à de Brad Pitt. Quanto aos fãs, não consigo ser grosseiro quando me pedem autógrafo. O que custa atender? Quando estou com a família e não posso dar atenção, peço desculpas. 
ISTOÉ –
O que o deixa estressado? 
Hugh Jackman –


Não sei. Ter sido criado com irmãos bagunceiros me tornou uma pessoa tranquila, mesmo quando em volta está um caos. 
ISTOÉ –
O que diria para as pessoas que o definem como “bom demais para ser verdade”? 
Hugh Jackman –
Tenho vários defeitos. Um deles é não saber consertar nada em casa. A única coisa boa é que estou sempre por perto quando aparece um problema doméstico para resolver. Sou um péssimo faz-tudo. Só sirvo para colocar o lixo para fora de casa. 
ISTOÉ –
Na origem, os mutantes da série “X-Men” (da qual Wolverine faz parte) eram uma referência às minorias. Acha que continua atual? 
Hugh Jackman –


Quando a história em quadrinhos foi escrita, tratava-se de uma alegoria a Malcolm X e Martin Luther King e à forma como eles abordavam o movimento pelos direitos civis. Numa leitura mais ampla, a HQ trata das minorias e nos ensina a aceitar quem somos e a respeitar a individualidade. Nela estaria a força de cada um, não a fraqueza. 
ISTOÉ –
Isso explica por que a série é tão cultuada entre o público adolescente? 
Hugh Jackman –
Acredito que sim. O adolescente sofre em silêncio por ainda estar descobrindo quem é. Tenho um filho prestes a fazer 13 anos e vejo isso acontecer. Parte dele não quer ser diferente dos outros. No mundo de hoje, ainda é duro ser um adolescente à procura de identidade, especialmente se ele for homossexual ou pertencer a alguma outra minoria. Como pai, eu me senti na responsabilidade de presentear meu filho com os quadrinhos de “X-Men”. 
ISTOÉ –
Foi falta de sorte concorrer ao Oscar deste ano com Daniel Day-Lewis, protagonista de “Lincoln”?  
Hugh Jackman –
Antes da entrega, as pessoas começaram a me dizer para não ficar chateado se perdesse. Confesso que não entedia aonde queriam chegar. Para ser sincero, sempre pensei que minha relação com o Oscar seria, no máximo, a de um mestre de cerimônias. Daniel é um dos maiores atores de todos os tempos e concorrer com ele já foi uma vitória.
ISTOÉ –
É o que todos os indicados não premiados costumam dizer. 
Hugh Jackman –
É um clichê, mas é pura verdade. Este ano nós fomos premiados com um almoço no dia anterior à festa, algo que nunca havia acontecido na história do prêmio. O presidente da Academia reuniu todos os atores e atrizes indicados, tanto na categoria principal quanto na de coadjuvante. Fomos todos à casa do ator Ed Begley Jr., que cozinhou para nós. Foi surreal estar à mesa com Daniel Day-Lewis, Robert De Niro, Alan Arkin, Tommy Lee Jones, Joaquin Phoenix e outros. 
ISTOÉ –
Sobre o que conversaram? 
Hugh Jackman –
Foi um pouco estranho nos primeiros dez minutos porque, curiosamente, ninguém se conhecia. Depois foi ótimo. Passamos a jogar conversa fora. O ponto alto foi o discurso de Alan Arkin dizendo que ele nunca entendeu a ideia de competição entre atores e que aquele era um momento especial. Só o fato de estar naquele almoço já foi a realização de um sonho. 
ISTOÉ –
É verdade que foi Russell Crowe quem impulsionou a sua carreira? 
Hugh Jackman –
Sim. Ele me ajudou muito no início. Quando recusou o papel de Wolverine no primeiro filme dos X-Men, ele indicou o meu nome ao diretor da série, Bryan Singer. Sem esse empurrãozinho certamente não estaria aqui hoje. 
por Elaine Guerini, de LondresEdição 17.07.2013 - nº 2278




O DANO DOS ANABOLIZANTES

O DANO DOS ANABOLIZANTES


Pesquisa inédita revela que essas substâncias degeneram a saúde do coração, do cérebro e elevam o risco de morte súbita.

Pela primeira vez, a medicina conseguiu descrever o impacto provocado pelo uso de esteroides anabolizantes no coração e no cérebro. Em um estudo que teve duração de quatro anos, a cardiologista Janieire Alves, da Unidade de Reabilitação Cardíaca e Fisiologia do Exercício do Instituto do Coração, de São Paulo, avaliou 40 homens com idades entre 18 e 40 anos que assumidamente se automedicavam com doses regulares dessas substâncias havia dois anos. Essas drogas imitam o hormônio masculino testosterona e são usadas com a finalidade de aumentar a massa muscular e reduzir a fadiga.

Os prejuízos ao corpo são impressionantes. “Os usuários apresentam um risco cinco vezes maior de ter acidente vascular cerebral, parada cardíaca ou morte súbita do que a população em geral”, afirma a médica Janieire. As conclusões do trabalho serão publicadas em maio de 2010 pela mais renomada revista científica de medicina do esporte, a “Medicine & Science in Sports & Exercise”, do American College of Sports Medicine. “É um avanço mundial no conhecimento sobre a utilização desses compostos”, afirma Carlos Eduardo Negrão, que participou da pesquisa.

Os voluntários do estudo foram submetidos a testes de sangue e a exames para medir a capacidade pulmonar e cardíaca de oxigenar o corpo a cada quatro meses. Porém, essa exigência reduziu o número final de participantes. Só 12 fizeram todos os testes. Além disso, dois tiveram morte súbita e um ficou com câncer de fígado. Os exames revelaram uma preocupante redução do colesterol bom (HDL) e o aumento do ruim (LDL) e dos níveis de pressão arterial (leia mais no quadro), o que eleva o risco de entupimento dos vasos sanguíneos cerebrais e do coração.
A cardiologista Janieire também identificou uma intensa mudança no ritmo do sistema nervoso simpático, que regula a contração dos vasos, a aceleração dos batimentos cardíacos e a concentração do hormônio noradrenalina no sangue. Essas modificações aumentam o esforço do coração para bombear o sangue. “Há casos em que os músculos e áreas do próprio coração recebiam apenas 40% do sangue necessário”, diz a cardiologista. 
A associação dessas alterações aumenta as chances de insuficiência cardíaca precoce. O que os pesquisadores não conseguiram saber é se esses efeitos são reversíveis, com a interrupção do uso. “Não foi possível ter essa resposta porque os voluntários voltavam a tomar as substâncias quando sentiam uma perda de massa muscular”, lamenta Janieire.

A “BOMBA” É AINDA PIOR 
Nova pesquisa alerta para os perigos dos anabolizantes. E revela que eles podem levar à morte súbita de seus usuários
O efeito dos anabolizantes sobre o coração e o cérebro é muito mais perigoso do que se suspeitava. Pesquisa recente, coordenada pela cardiologista Janieire Nunes Alves, da Unidade de Reabilitação e Fisiologia do Exercício do Instituto do Coração, em São Paulo, revelou que os usuários dessas substâncias têm cinco vezes mais riscos de sofrer um derrame ou parada cardíaca. E que o uso de anabolizantes pode causar câncer e até levar à morte súbita.
Confira, abaixo, a entrevista exclusiva que a especialista concedeu a ISTOÉ Online.
ISTOÉ – Quem participou da sua pesquisa? 
Janieire Alves – Homens com idade entre 18 e 40 anos que tomavam essas substâncias havia dois anos. Para achá-los, eu fui a várias academias, especialmente a algumas em que se sabia serem pontos de consumo regular de anabolizantes, para perguntar quem gostaria de participar da pesquisa. Mas foi muito difícil conseguir voluntários. As pessoas têm muito medo de ser expostas. Eles só aceitaram participar com a garantia de sigilo absoluto de seus nomes. Um dos motivos é a sua participação em competições, pois o uso de anabolizantes é ilegal. Consegui 40 pessoas, mas apenas 12 fizeram todos os testes necessários.

ISTOÉ – Os testes de rotina, feitos por atletas, não detectam os anabolizantes? 
Janieire Alves – Detectam, mas há vários meios de mascarar esses resultados durante o período de competições. Para fazer nosso estudo, por exemplo, a sensibilidade do teste de urina feito inicialmente para atestar o uso foi aumentada dez vezes. Esses exames foram realizados em parceria com a professora Regina Moreau, no Laboratório de Toxicologia da Faculdade de Farmacologia da USP.

ISTOÉ – Como essas substâncias são ingeridas? 
Janieire Alves – Por injeção ou via oral. No grupo estudado, vi que o uso se dá em ciclos. As pessoas tomam por cerca de dois meses, depois param algum tempo e voltam quando sentem que a musculatura começa a diminuir.

ISTOÉ – Algum dos voluntários deixou de tomar anabolizantes depois de conhecer mais sobre os efeitos que essas drogas estavam provocando no organismo? 
Janieire Alves – Não. De todas as pessoas que participaram, apenas três aceitaram receber apoio psicológico para não usar mais. Um deles estava com sintomas iniciais de câncer de fígado, que é outro efeito colateral do uso constante dessas drogas.

ISTOÉ – Os anabolizantes causam alguma dependência física ou psicológica? 
Janieire Alves – Pude observar que a maioria dos voluntários manifesta um transtorno de imagem conhecido como vigorexia. Por mais musculosos que estejam, eles se vêem pequenos e, por isso, precisam ganhar mais massa muscular. É praticamente o oposto da anorexia, em que a pessoa se julga gorda, ainda que isso não corresponda ao peso apontado pela balança ou à imagem refletida no espelho.

ISTOÉ – Qual é a substância mais consumida? 
Janieire Alves – No grupo analisado, o estanozolol. É uma droga injetável, indicada para uso veterinário. Ela é mais consumida por ser mais acessível e de baixo custo. Promove a recuperação da musculatura dos animais. Mas existem dezenas de outras substâncias.

ISTOÉ – A musculatura obtida com anabolizantes é igual a conquistada com muita malhação? 
Janieire Alves – Nosso estudo mostrou que o ganho excessivo de musculatura, o aumento do tamanho do músculo cardíaco e alterações de pressão acontecem também com as pessoas que praticam musculação em alta intensidade, ou participam das competições de halterofilismo, porém em magnitude muito inferior àqueles que tomam anabolizantes. Na população estudada por nós, identificamos que há uma piora significativa da irrigação dos tecidos. Em testes para avaliar a capacidade cardíaca e respiratória, vimos que essas pessoas ganham força, mas não têm condicionamento ou resistência equivalentes.

ISTOÉ – Existe uma dose segura de anabolizantes? 
Janieire Alves - Os anabolizantes são substâncias análogas à testosterona, fabricada nos testículos. Se ela já existe em quantidade suficiente no organismo, doses adicionais inibirão a produção orgânica (natural). A questão é que as substâncias sintéticas não são aceitas da mesma forma que a testosterona natural por outras glândulas, o que inicia um desequilíbrio na troca de mensagens entre os hormônios que regulam os ritmos do corpo. Em consequência, isso leva aos efeitos indesejáveis. Na minha opinião, não se deve tomar se não existe carência provada em exames laboratoriais. O estudo que fizemos fornece sólido embasamento científico mostrando que, para o sistema cardiovascular, essas substâncias são muito deletérias. Elas agem, por exemplo, sobre a glândula supra-renal, estimulando a maior liberação de noradrenalina, que pode aumentar o risco de desenvolvimento de arritmias cardíacas (alterações do ritmo cardíaco), podendo levar até à morte súbita.

15/12/2009 - Revista IstoÉ   Jornalista: Mônica Tarantino


sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Massa Muscular - Aprenda como ganhar.

Massa Muscular - Aprenda como ganhar.

 

O principal objetivo dos praticantes de academia e mais desejado entre os homens é aumentar o volume da massa muscular.

Embora muitas atividades físicas colaborem para o aumento muscular, o treinamento resistido - exercícios com peso onde há uma resistência, como na musculação - é a resposta certa para uma pergunta comum: Como ficar musculoso?

Com o aumento da massa muscular, você pode aprimorar o seu desempenho esportivo, aumentar a proteção dos ossos e articulações, melhorar a estética corporal e favorecer o conforto na vida diária e no trabalho físico.
Mesmo as mulheres que não querem ficar musculosas precisam aumentar o volume dos músculos para modelar o corpo.
 
O aumento de massa muscular e a diminuição da gordura corporal variam de pessoa para pessoa, pois cada organismo responde de uma forma à atividade física e aos planos alimentares. Alguns conseguem resultados mais rápidos, outros demoram mais, levando em conta a série, freqüência e intensidade da atividade física; alimentação, genética, problemas hormonais, entre outros fatores. Mas se você persistir na prática regular de exercícios e de uma alimentação balanceada, mais cedo ou mais tarde os resultados aparecem.

Para que haja aumento da massa muscular, o processo mais significativo é a hipertrofia (crescimento da célula). É através dela que o músculo aumenta de tamanho, após o treino de musculação. Nestes treinos, há uma sobrecarga tensional nos músculos. Esta tensão faz com que eles se contraiam em função da resistência oferecida. Durante o exercício, os filamentos de proteínas são destruídos. Isso mesmo, mas no período de descanso eles são refeitos numa proporção maior do que a destruição dos mesmos, ocorrendo o aumento do volume muscular.
 
A síntese de proteínas, após o exercício, é estimulada pelos hormônios anabólicos do nosso organismo que são:
•  G.H. (hormônio do crescimento) formado por aminoácidos e estimulado pelos exercícios intensos, pelo sono e pela hipoglicemia.
•  Testosterona (hormônio sexual masculino) sintetizada a partir do colesterol.
•  Insulina (hormônio que atua na absorção de glicose pelas células) formada por aminoácidos e estimulados pela ingestão de carboidratos.

Mas, infelizmente, muitas pessoas - orientadas por profissionais não gabaritados e aptos a prescrever hormônios - tomam anabolizantes ou suplementos, causando sérios e irreversíveis danos ao corpo, adquirindo problemas renais e outros.

Saiba que o treinamento adequado aliado à alimentação equilibrada prescrita por um nutricionista darão excelente resultado. Se ele não for o esperado, dificilmente poderá ser melhor com suplementos e anabolizantes.

Na realidade, as drogas não fazem campeões. Muitas pessoas aumentam a massa muscular sem o uso de drogas e algumas tem tanta dificuldade que tem resultados muito pequenos mesmo utilizando essas substâncias, além de poderem vir a ter problemas de saúde. Essa dificuldade tem como principal fator o genético que não é possível de ser modificado.

Os principais pontos que você deve ter atenção para ganhar massa muscular são:
•  Treinos de musculação, bem orientados de acordo com a sua necessidade
•  Obedeça o tempo de descanso
•  Duração de no máximo 1 hora de exercícios
•  Os pesos devem ser difíceis
•  O sono noturno deve ser suficiente para recuperar as energias
•  A alimentação deve ser balanceada de acordo com a orientação do nutricionista
•  Não esqueça dos alongamentos antes e depois dos treinos

•  Leve a sério a musculação, pois ela sem dúvida pode trazer muitos benefícios e, se você desejar realmente aumentar a massa muscular, tenha disciplina e siga as dicas acima, respeitando os seus limites.

Por:
Valéria Alvin Igayara de Souza

CREF 7075/ GSP - Especialista em treinamento.

domingo, 10 de julho de 2016

ENTREVISTA COM DORIAN YATES

ENTREVISTA COM DORIAN YATES

BDJ: Sua primeira dedicação séria ao exercício, sendo um treinamento breve, intenso e infrequente, foi altamente influenciado por Arthur Jones (desenvolvedor  do método de treinamento High Intensity Training (HIT) e fundador da Nautilus Inc. e MedX Inc) e Mike Mentzer (desenvolvedor do Heavy Duty). O que o levou a escolher aquela direção ao invés de métodos mais tradicionais?

DY: Eu sou um pensador muito lógico e a informação de Jones e Mentzer chegou até mim de uma maneira lógica. Eu também sou uma pessoa do tipo de que se tiver que fazer algo, eu primeiro observarei a natureza da ação, analiso, e obtenho o máximo de informação sobre isso o quanto eu possa. Eu não me lembro sobre como eu encontrei toda a informação necessária para tomar minha decisão, mas eu tentei armazenar tantos dados quantos eram possíveis, decifrei e vi o que fazia sentido.
 
 Dorian Yates e Mike Mentzer

Então eu combinei aquela informação com a experiência prática e escutando meu corpo de perto. Rapidamente eu descobri que uma vez tendo ultrapassado um certo nível de (treinamento) volume ou frequência eu experimentava os sinais de overtraining (quando você não está se recuperando, quando você não dorme bem, quando seu sistema nervoso sofre uma baixa e quando você já não faz progresso). Isto indicou claramente para mim que precisava reduzir e alterar ligeiramente minha abordagem de treinamento. Durante os anos refinei meu programa baseado nos princípios e relações de intensidade, volume, freqüência e recuperação adequada. Assim, embora lendo as informações dadas por Jones e Mentzer, tendo conversado e treinado com Mentzer algumas vezes, peguei o que eles disseram e combinei isto com métodos tradicionais e criei meu próprio híbrido de treinamento de alta intensidade.Eu não concordo com algumas das coisas ditas por Jones e Mentzer, inclusive sobre o treinamento do corpo inteiro em uma sessão.

BDJ: Eu concordo. No treinamento de pernas eu fico praticamente esgotado. Se não fisicamente, pelo menos mentalmente.

DY: Sim! Isso é muita coisa. Algumas coisas soam bem teoricamente, mas não funcionam na prática. Assim, você tem que combinar as duas. Aqui é onde você lê ou reflete a respeito da abordagem teórica, então aplica isto ao seu treinamento, enquanto faz ajustes ao longo do caminho. Se não funcionar de modo prático, então aí está a sua resposta. Você não deve se abater e pensar, “bem, por que não está funcionando ?”. Você tem que se mexer e procurar por qualquer outra coisa, enquanto ainda adere aos princípios da alta intensidade. Tenho pego qualquer informação que achei útil e descartado o resto. Venho fazendo isso com pessoas desde os graus mais baixos do bodybuilding até o topo, inclusive Mentzer e Jones. Sou sempre sou ávido por algo novo. Mas entre todos, ninguém alguma vez foi meu treinador ou nutricionista. Ao invés, eu escuto sugestões e aproveito o que eu quero e descubro o que funciona ou não funciona para mim. Isso é o que me atraiu ao bodybuilding. Eu era o responsável pela vitória ou derrota.

BDJ: Você aplicava alguma tática de treinamento em particular ou alguma variável de intensidade a um grupo muscular deficiente?

DY: Isso tem muito a ver com o que eu fazia. Para músculos com deficiência eu os treinaria no começo ou perto do começo, quando meus níveis de energia mentais e físicos eram mais altos. Eu também usava diferentes técnicas de intensidade, mas não todas ao mesmo tempo. Obviamente treinava até a fadiga, e então incluía repetições forçadas e negativas adicionais algumas vezes. Sempre enfatizava a fase negativa, pois estas são da mesma maneira tão importante ou mais importante que a fase positiva, sendo que muitas pessoas esquecem disso e só se concentram em erguer o peso. As micro-lesões acontecem principalmente durante a fase negativa que é responsável pela resposta de crescimento. Quando eu fazia as negativas por último, elas eram feitas em máquinas devido a um melhor controle. Às vezes também usava uma versão modificada do sistema de repouso-pausa (rest pause), treinando pesado para 5-6 repetições, descansando durante aproximadamente 10 segundos, e fazendo mais 1-2 repetições. Eu também fazia drop sets, enquanto executava 6-8 repetições até a fadiga, diminuindo um pouco o peso, fazendo então outras 3-4 repetições até a fadiga, ou ainda parciais ao término da série. Eu tentei pré-exaustão, mas não funcionou para mim. Esse é um exemplo de um método tradicional de alta intensidade que soa bem teoricamente, mas que não funciona tão bem na prática. Frequentemente as pessoas cometem o erro de que se têm um grupo muscular de desenvolvimento lento, pensam que deveriam aumentar o volume ou a freqüência, e isso não vai ajudar.

BDJ: Relativo a pré-exaustão, eu conheço alguns indivíduos que obtiveram resultados excelentes com essa técnica. Obviamente isso é algo do indivíduo. Você, por exemplo, provavelmente tem uma taxa extremamente alta de fibras de contração rápida no corpo e uma taxa muito rápida de fadiga.

DY: Eu usei pré-exaustão no passado, mas só na forma de séries normais, diretas. Por exemplo, eu começaria meu trabalho de pernas com extensões de perna, então em seguida eu descansava antes de passar para o leg press. Descobri que a pré-exaustão tradicional era mais aeróbio. Muito mais um treinamento cardiorrespiratório e nem tanto um treinamento muscular. Fazer pré-exaustão tradicional foi um dos treinamentos mais duros que já fiz alguma vez executei. Quase não podia respirar, mas eu não sentia que me desse um ótimo estímulo muscular. Tive que adaptar o método e descansar o suficiente.

BDJ: Você descobriu que havia a necessidade de descanso físico ou mental?

DY: Era mais físico, mas também incluía o mental. Enquanto você está fazendo extensões de perna e você sabe que logo estará fazendo leg press, seu foco fica dividido. No fundo em sua mente você sabe você que você tem que saltar fora de uma máquina e ir direto para cima da outra. Eu gosto de estimular, aniquilar, e então descansar. Eu não acredito em pressa entre os exercícios. Para mim, apressar as séries é um treinamento aeróbio. Mover-se depressa de um exercício para outro frequentemente resultará em cansaço cardiorrespiratório, especialmente para os músculos das pernas, por serem tão grandes.

BDJ: Você alguma vez implementou um protocolo de treinamento que provou ser prejudicial para o seu progresso?

DY: Provavelmente meu maior erro foi tentar usar os mesmos pesos e a mesma intensidade (treinar além da fadiga) até a competição. Técnicas de alta intensidade são ótimas para estimular o crescimento (hipertrofia, ganho de massa magra) se você tiver calorias e descanso suficientes. Mas quando você se prepara para uma competição, sua meta deveria treinar para manter músculos e reduzir a possibilidade de lesão. Isto é especialmente verdade se sua energia e níveis de gordura corporal forem baixos e você estiver trabalhando seus músculos e articulações com dureza. Inclusive, quando sob dieta e treinamento duro (dieta hipocalórica) você não dorme tão bem, o que significa que você não consegue se concentrar tão bem. Todos esses fatores aumentam seu risco de lesões. Isto também aumenta seu risco de ficar em catabólico porque você está aplicando toda aquela tensão e a falta de calorias e descanso faz com que fique mais difícil recuperar-se. Se tivesse que fazer tudo novamente, deixaria de treinar até a fadiga, ou até mesmo perto da fadiga, parando 1 – 2 repetições próximas do esforço total. Isto daria estímulo o bastante para manter os músculos enquanto você se concentra em reduzir a gordura corporal.


BDJ: Eu entendo que você tem uma preferência pelos pesos livres…

DY: Não, não particularmente. Há muitos exercícios básicos que são ideais com pesos livres, mas se você analisar minhas rotinas durante os anos, elas tem sido uma combinação de máquinas e pesos livres. Penso que ambos têm suas vantagens e desvantagens, e uma combinação dos dois é melhor que usar exclusivamente um deles.

BDJ: Você descobriu que você pode executar menos exercício com máquinas? Acho que há estimulação maior e mais direta com máquinas, produzindo maior estímulo pois não existe nenhum esforço necessário para equilibrar o peso.

DY: Não necessariamente. Basicamente, acredito que as máquinas isolam melhor o músculo e você não tem que gastar energia equilibrando o peso, distintamente do treinamento com pesos livres. Mas uma das desvantagens das máquinas é que, elas produzem um movimento fixo. Um padrão fixo. Se uso isto (a máquina) e você usa também, é o mesmo padrão. Mas se eu executo uma rosca com halteres, e então você executa uma rosca com halteres, e isso for analisado em um computador, veremos que ambos seguiram um padrão diferente. Cada um segue uma biomecânica mais natural e individual.

BDJ: Neurologicamente, os pesos livres provavelmente têm uma vantagem nessa consideração.

DY: Sim, e é por isso que eu acho que eles são tanto melhores para o treinamento de força e de potência, e treinamento atlético. Consequentemente há algumas coisas que você pode fazer com máquinas e não com pesos livres, e algumas coisas você pode fazer com pesos livres e não máquinas, e vice-versa. A melhor situação é uma combinação de ambos.

BDJ: Quais técnicas psicológicas você emprega durante seus treinamentos?

DY: Eu mantenho um diário de treinamento e de nutrição. Todo treinamento deve ser anotado, quais exercícios, o peso usado, número de séries, número de repetições, etc. Antes de ir para o ginásio eu revisaria o meu último treinamento, o peso, as repetições, e visualizaria o que queria fazer naquele dia, a ponto de usar certas roupas em certos dias, só para alcançar um certo estado de espírito. Visualizaria quanto peso iria erguer quantas repetições, e como iria fazer os exercícios. No momento em que eu chegasse no ginásio estaria totalmente motivado psicologicamente e sabendo quais metas queria alcançar. Veria de novo aquele filme mental enquanto estivesse no treinamento.

BDJ: Eu não acredito que haja muitos fisiculturistas, inclusive profissionais que monitoram seus próprios progressos ou mantêm um diário de treinamento.

DY: Eu tenho sido questionado por certos fisiculturistas, sobre o treinamento. Eu lhes perguntava o que eles haviam feito da última vez, ou no ano passado. Eles respondiam, “eu não estou realmente seguro… eu realmente não consigo me lembrar”. Você nunca vai aprender qualquer coisa se este for o caso. Se você mantiver um registro, você pode ver como você progride, como seu corpo reage, o que funciona e o que não funciona. Isso lhe permite refinar as informações. Mas se você torna isso um jogo de adivinhação, então será como um capitão em um navio sem mapa nem curso, enquanto flutua por aí esperando chegar onde se quer chegar.

BDJ: Talvez duas das perguntas mais comuns feitas aos fisiculturistas profissionais são: Que drogas você tem usado, e quanto você gasta anualmente com drogas? Você se preocupa em responder?

DY: Eu sou questionado sobre isso sempre que faço seminários. Aí existe um limite tênue. Não quero ser evasivo como se estivesse tentando manter algum segredo. Mas também tenho uma responsabilidade na qual não gosto de recomendar ou falar de doses porque entre os muitos leitores de revistas estão incluídos crianças e jovens. Certas revistas, e certas pessoas que escrevem para as revistas, estão sendo muito irresponsáveis em recomendar certas coisas, ou em dizer que “todos os profissionais fazem isso e aquilo”. Em um artigo, eu fiquei horrorizado em ler a respeito do que os profissionais supostamente fazem. Isso chegou a um ponto onde se acredita que o modo como a pessoa treina ou a genética não tem nada a ver, mas sim o uso de drogas. Então as crianças leem isso, acreditam que é verdade e pensam que tudo o que eles precisam são das drogas. Eu digo que não usei nada que não fosse acessível para qualquer outro fisiculturista. Não usei nada não usual. Mas comigo, morando na Inglaterra, em uma área isolada e quebrando barreiras em tamanho muscular, começam a surgir todos os tipos de rumores. Eu usei a mesma coisa que todo mundo: deca durabolin, testosterona, orais, entre outros, e tudo isso já existe há pelo menos durante uns 20 ou 30 anos. As pessoas pensam que podem tomar estas coisas e fazer ganhos incríveis. Não funciona desse modo. Os esteroides ajudam o processo de construção muscular, mas não são somente eles são os responsáveis. Você ainda precisa treinar duro, comer bem, e descansar o suficiente.

BDJ: Suas fotografias de antes e depois no início dos anos 90 são legendárias e muito impressionantes. Foi no período quando você iniciou seus experimentos com GH?

DY: Na verdade não foram. Eu os utilizei antes dessa época. A razão pela qual fiz tais dorian_yates_178_1995_best_progressos naquele ano foi devido ao fato de que soube que Haney estava se aposentando e precisava atingir um extremo acima dos outros competidores que eram menores do que eu. Queria entrar super denso, super em forma e maior do que nunca. Nos anos anteriores sacrifiquei muito músculo e diminuía muito. Estava numa condição bastante competitiva cerca de 5-6 semanas antes da competição, mas mantinha a dieta e encolhia. Tentando ficar mais denso e mais denso. Então, analisei e percebi que precisava retificar o problema e sabia que eu poderia entrar muito maior e na mesma condição sem sacrificar tanto músculo. Assim, foi uma mudança na nutrição, que eu fiz entre 1992 e 1993 que fez a diferença. Eu sei que é difícil para algumas pessoas acreditarem, mas é assim que aconteceu.

BDJ: Eu entendo o que você está dizendo que o efeito da dieta pode ser dramático numa escala de curto prazo. Por exemplo, comer certos alimentos, combinações ou quantias podem lhe fazer parecer mais denso e maior ou podem fazer parecer pior dentro de horas.

DY: E se sua gordura corporal ficar muito baixa, é muito mais fácil queimar tecido muscular (catabolizar), e foi isso que eu decidi evitar.

BDJ: Quanto aos negócios. Você oferece livros e um vídeo, bem como uma linha de suplemento e serviços de Personal Training.

DY: Sim. Tenho meu próprio website, http://www.dorianyates.net que tem informação através de consultas telefônicas e programas personalizados, bem como recursos didáticos. Minha linha de suplemento, Dorian Yates Approved, está indo muito bem na Inglaterra e Europa. Nós começamos nos Estados Unidos. A linha de suplemento está centrada ao redor de proteína e um MRP. O começo disso foi através de um amigo na Inglaterra envolvido na indústria de suplementos. Ele teve a ideia de começarmos juntos uma linha de produtos. Ficou definido em acordo desde o começo que se me envolvesse, poderia opinar sobre os padrões do produto, os materiais, pesquisa e desenvolvimento. A proteína e o substituto de refeição são sem igual e são os mais efetivos no mercado, pois eles contêm whey protein não desnaturada, diferente de algumas marcas que usam subprodutos da fabricação de queijo. Nossas proteínas não desnaturadas retiveram os importantes fatores de crescimento que são necessários para construção de massa muscular. Nossos produtos também contêm probióticos que têm um efeito no sistema intestinal e saúde em geral. Aqueles que estão usando estão aderindo a eles porque estão obtendo resultados. Nós aplicamos um ano em pesquisa e desenvolvimento em nossa proteína e produtos de MRP.

BDJ: Você pode dar uma avaliação do seu treinamento quando você começou no bodybuilding, em comparação aos seus anos de Mr. Olympia e seu protocolo atual?

DY: Quando comecei a treinar, me baseava no mais convencional (rotinas publicadas em revistas), mas rapidamente percebi que isso não estava funcionando muito bem e que eu estava em overtraining. A tendência de todo mundo na academia era a de seguir o que todo mundo estava fazendo, ou o que os atletas famosos estavam fazendo e o que as revistas estavam recomendando. Combinando com a literatura de Jones e Mentzer, inventei minha própria rotina. Do que recordo, minha primeira rotina de alta intensidade era uma divisão em dois treinos, enquanto treinava três dias por semana. Por exemplo, na semana 1 eu executava tronco/braços, pernas, tronco/braços. Não era exatamente isso, mas lhe dará uma ideia. Na semana seguinte executava pernas, tronco/braços, pernas. Eu alternava deste modo, enquanto treinava cada grupo muscular duas vezes cada duas semanas e uma só vez nas outras semanas. De um modo geral, treinava o corpo todo duas vezes cada nove dias. Isso funcionou bem para mim. Na época em que eu conquistei meu primeiro Mr. Olympia, estava fazendo uma divisão em quatro partes. dois dias de treino, um de descanso, dois de treino, um de descanso. Descobri que conforme ficava maior e mais forte, não podia trabalhar metade do meu corpo em uma sessão e poderia ter que dividir o treinamento mais ainda. Aqui, novamente, nós estamos divergindo do que Arthur Jones estava recomendando, e para um grau menor até do que Mike Mentzer dizia, fazendo o corpo inteiro ou metade do corpo em um treinamento. Embora não estivesse fazendo um volume tremendo, ainda era muito fazer vários grupos musculares imediatamente. Acredito que você requer uma certa quantia de volume, em termos de exercícios diferentes. Eu não penso que você possa entrar na academia e treinar adequadamente seu peito ou costas usando só um exercício.

BDJ: Esse é um ponto interessante. O que tenho notado entre muitos dos seguidores de HIT, é que eles vão ao extremo de uma rotina de consolidação (agachamento, deadlifts, supinos, mergulhos, pulldowns). Comigo, eu aumentei tremendamente a força executando muito poucos exercícios básicos, mas minha aparência piorava progressivamente.

DY: Algumas pessoas dizem que quando um músculo é acionado, ele é utilizado e ponto, e que a não existe necessidade para treinar em ângulos diferentes, que isso seria irracional. Mas isto não faz sentido completo. Todos nós sabemos que quando você executa certos exercícios (em ângulos e formas diferente) você pode ver os resultados, uma mudança física. É aparente que se você executasse só desenvolvimento frontal, desenvolvimento por trás, elevação lateral, laterais curvado, laterais na polia baixa, etc., todos em ângulos diferentes, a aparência dos ombros mudaria em cada situação. Igualmente, se você executa apenas supino declinado ou supino reto, você enfatiza a porção mais baixa dos peitorais, mas não muito a porção superior. Deveria então ficar claro que exercícios diferentes e ângulos diferentes afetam um músculo de maneira diferente e afeta a aparência do seu corpo. Assim, você deveria treinar com uma variedade de exercícios, e em ângulos diferentes.

BDJ: Sim, e isto pode ser feito em uma base rotativa. Você não tem que executar todos os exercícios em um único treinamento. Eu também acho que uma pessoa requer bastante variedade, em termos de volume de séries. Por exemplo, se alguém vai participar de uma competição de transformação física em 12 semanas, você não consegue fazer mudanças dramáticas simplesmente executando um punhado de exercícios uma vez cada 7-9 dias, “ a la ” treinamento de consolidação.

DY: Não, você não consegue. Você não consegue alcançar um físico por inteiro. Você aumentará sua força e conseguirá um desenvolvimento básico, mas você não conseguirá um desenvolvimento completo de todos os grupos musculares. Isto simplesmente não é possível. Você não consegue desenvolver a largura e a espessura de seus dorsais, romboides, trapézio, e lombares com apenas um exercício.

BDJ: Até mesmo a respeito do condicionamento metabólico e redução dos depósitos de gordura, deve haver volume o bastante. Casey Viator fez um comentário que ele frequentemente chegava ao overtraining até o momento da competição. Ele tinha que fazer isso para alcançar a condição que ele queria alcançar o que era diferente do treinamento de construção de massa na pré-temporada.

DY: Eu não concordo com isso. Obviamente se você faz mais atividades você vai queimar mais calorias. Construir músculos é exatamente isso, e manter músculos é basicamente a mesma coisa. A ideia é reduzir a gordura corporal tendo um equilíbrio calórico negativo e aumentando a quantidade de queima de calorias. Não acredito que aumentar o volume de treinamento com pesos seja um modo eficiente de fazer isto. Funcionará, mas prefiro uma abordagem aeróbia, sendo estes, queimadores de gordura mais específicos.

BDJ: Como você aplica seu treinamento aeróbio na preparação para uma competição.

DY: O treinamento com pesos que fazia na pré temporada e na temporada eram quase a mesma coisa. Assim, para queimar gordura, além da redução calórica, executava aeróbios por até uma hora por dia. Fazia meia hora pela manhã e meia hora à noite, ou conforme precisava. Não era nenhum trabalho aeróbio de alta intensidade, mas baixo em intensidade, assim usava principalmente gordura como energia. Você pode perder gordura aumentando exercícios e séries, mas você corre o risco de ficar mais catabólico e perder tecido muscular. Isto torna mais difícil recuperar-se de um volume de treinamento mais alto do que de um volume normal.

BDJ: Como é hoje o seu treinamento? Eu acredito que você ainda treina?

DY: Sim, ainda estou realizando praticamente a mesma programação. A intensidade é um pouco mais baixa, principalmente devido a minha lesão no tríceps. Eu tenho que ter muito cuidadoso porque existe um desequilíbrio entre meu lado esquerdo e meu lado de direito. Em conseqüência, tento usar mais máquinas, especialmente para minha porção superior do corpo. Há outra vantagem no treinamento com máquinas, te permite treinar ao redor de lesões sem a preocupação quanto a coordenação e o equilíbrio.

BDJ: Sérgio Oliva apresentou artrites bastante sérias ao longo de seu corpo inteiro, enfatizando sua necessidade para treinar principalmente com máquinas. Ele descobriu que treinar com pesos livres, e todo o equilíbrio necessário ao treinamento com pesos livres, é algo que agrava muito as dores nas articulações.

DY: Em um mundo ideal, e se eu não tivesse nenhuma lesão, usaria mais pesos livres. Eu não gostaria de treinar exclusivamente com máquinas, mas este não é exatamente o lugar onde eu estou agora. Assim, simplesmente faço o que eu posso fazer e o que eu tenho de fazer.

BDJ: Parece que não há nenhuma chance de você sair da aposentadoria das competições?

DY: Tomei a decisão de me aposentar, principalmente por causa da lesão e porque competi por muito tempo. A única coisa que queria conseguir era melhorar o meu físico. Mas com a lesão e com toda a reabilitação que realizei, sabia que isso não ia ser possível. Definitivamente não queria voltar e ser qualquer coisa menos do que meu máximo.

BDJ: Exatamente. Relativo à dieta, parece que últimas semanas antes da competição era muito crucial. Fisiculturistas tornam-se mentalmente estressados, pois acreditam que eles parecem muito piores do que eles na verdade são.

DY: Isso definitivamente é verdade. Você pode olhar no espelho um minuto e pode pensar que você parece ótimo. Então dez minutos depois você não está tão seguro. Obviamente as coisas não mudaram, mas sua mente pode pregar peças em você. Muitas pessoas tendem a fazer coisas malucas na última semana porque estão naquele estado mental. Eles fazem tudo com consistência, enquanto parecem melhor e melhor, então durante a última semana ou poucos dias antes eles fazem algo que estraga tudo completamente. Embora você tenha que ser flexível, você precisa de um plano e deve seguir.

BDJ: Você se preocupava com depleção e carga de carboidratos ou alterava sua ingestão de água?

images (2)DY: Sempre trabalhei com meus carboidratos e isso funcionava muito bem para mim. Não funciona para alguns, e talvez físicos diferentes respondam de modo diferente à ingestão de macro nutrientes. Refinei isto durante os anos para saber exatamente o que estava funcionando, o que não estava funcionando e por que. Não havia muito certo e errado, embora às vezes quando olho para trás, vejo que poderia ter aumentado um pouco aqui ou lá para estar numa condição ligeiramente melhor. Sempre mantive registros, enquanto monitorava tudo o que fazia, fazendo correções até a última semana antes da competição. Examinava meus registros e então comparava as informações para conforme eu estava fisicamente e então fazia ajustes.

BDJ: Com a nutrição em geral, qual era sua relação entre proteína, gordura e carboidratos?

DY: Minha primeira preocupação era me certificar de que tinha proteína o suficiente em intervalos regulares ao longo do dia. Calculava uma média de 3 gramas por Kg de peso corporal. E então era uma questão de equilibrar o resto das calorias das quais precisava entre gorduras e carboidratos. Não estou seguro das porcentagens exatas, mas era provavelmente ao redor 30-40% proteína, 50% carboidrato e 15-20% gordura. Variava, mas via as gorduras e carboidratos como alimentos energéticos, e claro, há também a necessidade de ácidos graxos essenciais para o sistema nervoso, etc.

BDJ: Parece haver uma tendência para uma ingestão muito alta de proteína e gordura e muito baixa de carboidratos.

DY: Novamente, isso pode variar com o metabolismo de cada pessoa, e como eles respondem à insulina induzida pelos carboidratos. Mas, para mim, minha dieta era bastante alta em carboidrato. Quando era baixa em carboidrato, eu perdia tamanho, meu físico ficava plano, e perdia energia muito depressa.

BDJ: Eu também observei todos esses efeitos. Uma vez fiz um regime muito alto em proteína durante vários meses e meu corpo nunca se ajustou a isto. Eventualmente tive que aumentar a ingesta de carboidratos ao redor dos 40-50%.

DY: Para mim, até mesmo a depleção de carboidratos significava algo ao redor de 200 gramas de carboidratos por dia. Isso era baixo para mim, e ficava bem difícil depois de 2 ou 3 dias nisso. Mas para outros isto seria considerado moderado.

BDJ: O que notei a respeito da sua dieta, é que você não levava a depleção de carboidratos ao extremo. Ao invés, você realizava uma redução até “certo ponto”, o que era o suficiente para produzir um déficit.

DY: A regra geral era diminuir meus carboidratos até 50%. Eu calculava a média entre 400-450 gramas por dia, sendo em alguns dias um pouco mais alto ou mais baixo que outros. Quando diminuía meus carboidratos para 200 gramas durante aproximadamente três dias, aumentava ligeiramente o volume de treinamento para apressar a depleção de glicogênio.Também tinha cuidado em aumentar a ingesta de proteínas e gorduras, assim o nível global de calorias era o mesmo. Algumas pessoas não apenas reduzem demais os carboidratos, enquanto ficam com pouca energia, mas não substituem essas calorias perdidas e começam a queimar tecido muscular. Então, antes da competição elevava meus carboidratos para aproximadamente 1000 gramas por dia. Durante a pré temporada era ao redor 700 a 800 gramas de carboidratos por dia, assim o leve aumento acima do normal fazia uma diferença adicional.

BDJ: Sua ingestão calórica ficava calculada ao redor de 5000 a 6000 calorias por dia.

DY: Isso ficava ao redor 5500-6000. Disso, minha proteína ficava ao redor de 400 a 450 gramas por dia.

BDJ: Você está trabalhando atualmente com o Ernie Taylor. Como está o andamento disso e como ele treina?

DY: Vai bem. O treinamento dele é bastante breve, particularmente quando comparado ao dos outros profissionais. Penso que quando ganhei o Olympia em 1993, e o tipo de treinamentos que estava fazendo, recebeu publicidade, e produziu um impacto no esporte. Não estou dizendo que todo mundo começou a treinar do modo que eu fazia, mas o volume e a frequência de treinamento entre os profissionais reduziu-se bastante de dez anos atrás até hoje. Quase todo mundo estava fazendo 3 dias treina o 1 descansa, 3 dias treina 1 descansa. Eles treinavam cada parte do corpo duas vezes por semana. Agora, a maioria está treinando cada parte do corpo uma vez a cada 5 ou 6 dias, com volume reduzido.

BDJ: Exceto o Lee Priest, que declara estar treinando até 30 séries por grupo muscular.

DY: Sim. Mas ele conseguiu um ótimo físico.

BDJ: Ele também é jovem. Eu tinha muita energia quando tinha a idade dele, e fazia uns treinamentos bastante selvagens. Hoje olho para trás, e não sei como eu fazia aquilo.

DY: Sim. Eu olho atrás, e costumava treinar peito, costas e ombros em um treinamento e provavelmente com mais volume que eu faço agora. Mas ainda assim produzia resultados.

BDJ: O que você mudaria sobre o esporte do bodybuilding?

DY: Educação. As pessoas realmente não entendem o que importa na criação de um grande físico. Se você assiste um esporte igual ao basquetebol, nele você pode ver e pode apreciar a habilidade do atleta.Com as competições de bodybuilding você vê apenas o produto final. Se você estiver nisso, você pode apreciar o físico, mas às pessoas comuns isso parece algo estranho e extremo. Eles não sabem da dedicação ou do trabalho duro, ou do conhecimento sobre nutrição. Deveriam combinar a cobertura da televisão com um documentário verdadeiro das pessoas treinando e o que elas fazem para se preparar. Quando eu estava competindo no Mr. Olympia, recebia alguns convites para apresentação na televisão, e isso sempre foi o que eu quis fazer. Falar e discutir sobre o que está envolvido no esporte. E quando as pessoas estivessem educadas sobre o processo, elas apreciariam e olhariam de modo diferente para isso. Mas minha experiência com o pessoal da TV é que eles não estavam interessados nisso. Sentar-se e falar sobre isso. Eles me queriam no estúdio para posar, e então fazer algumas perguntas. Eu não queria ir para isso. Eu dizia: “… se você estivesse recebendo outro atleta, um corredor, por exemplo, você não o faria correr ao redor do estúdio, ou faria um jogador de basquetebol jogar basquetebol…” Ao invés disso, você se sentaria com a pessoa e conversaria com ele. E isso é o que estou preparado para fazer. Isso não os interessava. Mas trazer um fisiculturista de sunga para posar é algo que torna aquela pessoa um objeto e um espetáculo.

BDJ: Você acredita que obteve de fato, em seu país, a notoriedade que você merece?

DY: Definitivamente não, não na Inglaterra. Eu sou mais reconhecido nos Estados Unidos da America.

BDJ: Isso é devido ao bodybuilding não ser muito popular na Grã Bretanha?

DY: Não é realmente popular. Isso tem obtido uma boa audiência com alguns seguidores e há poucos fisiculturistas na Inglaterra, como você provavelmente sabe. É uma comunidade muito pequena, uma coisa underground. Não é algo que chega até o público em geral. Diferente dos Estados Unidos. Lá, acho que sou mais amplamente reconhecido entre um grande e variado número de pessoas. Indivíduos que não são necessariamente fisiculturistas, mas que vão para as academias, que estão em forma, se interessam por saúde e nutrição e que apreciam muito mais o bodybuilding. Nos Estados Unidos eu agrado pessoas de todos os estilos de vida, e que me reconhecem.

Por Brian D. Johnston

ENTREVISTA ORIGINAL:
http://www.sizematters.com.au/threads/339-Pro-Interview-Dorian-Yates
(92) 99306-7971 / (92) 99281-4004